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Os 'tardeos' invadem Lisboa com ventos de Espanha

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O nosso estilo de vida está a mudar e essa transformação tem um impacto enorme sobretudo nas gerações mais jovens. Nós ainda somos do tempo em que sair à noite era quase desporto, as discotecas estavam abertas quase todos os dias com festas diferentes e muita animação. Nós sabíamos perfeitamente onde ir se quiséssemos beber um copo num determinado dia. Os ambientes estavam bem definidos e era fácil de perceber o que íamos encontrar. Foram os tempos áureos dos clubes noturnos onde toda a gente ia parar, dos mais velhos aos mais novos e de todas as classes sociais. As loucuras das portas e as enchentes na pista de dança em que a diversão se tornava magia e a noite se prolongava para o dia. Não posso dizer que me arrependo do que vivi porque foram belos tempos com grandes amigos que desaguaram em histórias que ficam para contar. Talvez o meu fígado tenha algo a dizer acerca disso.

Mas o mundo mudou. As pessoas estão cada vez mais atentas e sensibilizadas para os problemas de saúde, para as questões sociais e para o bem estar. Talvez por isso todos os anos fechem tantas discotecas e abram tão poucas. Os finais de tarde substituem cada vez mais os finais de noite e os horários hoje em compatibilizam-se com o que se quer fazer no dia seguinte. Não se deixa cair o entretenimento nem a diversão mas definem-se formatos para que tudo possa encaixar sem perdermos o tempo entre as nossas mãos. Nesse sentido aquilo que antigamente era quase uma miragem em Portugal, sair do trabalho e beber um copo ou ir a uma festa que começa quando o Sol ainda se mostra, é cada vez mais procurado. Os espaços também se têm sabido adaptar e novos conceitos surgem para poder oferecer o que os clientes mais procuram. Na verdade há espaço para conseguirmos fazer o que queremos sem que isso colida com o dia seguinte o que torna tudo mais fácil e saudável.

Em Espanha já é assim há muito tempo. Basta ir a Sevilha para percebermos que as ruas estão pejadas de gente que se amontoa a picar umas tapas e a beber uma caña ou um copo de vinho. Vive-se a rua de uma forma diferente e aproveita-se aquele timing temporal onde por hábito não fazemos nada. É apenas uma passagem. Assim retiram-se horas à saída noturna para ganhar mais cedo e acordarmos melhor (depende do número de copos claro…). Para isso também a música encontra soluções, espaços abertos onde o sol bate e os ritmos são diferentes. A moda tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos em Lisboa e sucedem-se as festas que já cumprem este horário desenvolvendo conteúdos adaptados a estas necessidades. Desde rooftops, aos bares de rua, de festivais às praias este é o produto do momento e onde todos querem estar.

Espera-se por isso um verão muito animado com eventos dentro deste horário, aproveitando a luz e o pôr do sol lindíssimo de Lisboa e das praias mais próximas. Os tardeos vieram definitivamente para ficar e vão absorver parte do público que mais gosta de se divertir. É uma ótima opção para captar gerações mais avançadas (35+) e com isso de aumentar também as receitas uma vez que estes têm maior poder de compra. É aliás o formato perfeito para se voltarem a reunir pessoas de diferentes idades e estilos ao som da mesma música. Se a diversão, a leveza de um final de tarde e as emoções de uma dança, são essenciais para a nossa qualidade de vida esta é uma oportunidade de ouro para o aproveitar sem estragar o amanhã.

Na ilha da Madeira, mais propriamente na Estalagem da Ponta do Sol, estes fins de tarde são aproveitados de forma única. Sim, o espaço ajuda, um lindíssimo hotel instalado numa rocha mesmo em cima do mar, mas a forma como aproveitam as valências do mesmo, os amplos jardins e a vista deslumbrante através de uma programação muito diversificada e carregada de bom gosto, merece uma vista de olhos. Às sextas as Purple Fridays juntam locais e nómadas digitais e o resultado é incrível.

Uma música para dançar no fim de semana:

Neck (extended mix) - Mau


© SOL