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Onde pára o maestro ?

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19.07.2026

Acho que o primeiro-ministro precisa de parar para pensar. Não quero fazer parte dos profissionais militantes da maledicência, mas é claro para todos - parece-me - que o homem que está à frente do Governo tem de por ordem na casa. Espera-se de Luís Montenegro que o grupo de ministros que escolheu funcione como uma equipa minimamente afinada. O que vemos, no entanto, é um bando de solistas, que condescende, de vez em quando, em deixar o seu olhar pousar no maestro, que, supostamente deveria usar a batuta com destreza e sensibilidade, mas que esbraceja sem sucesso na busca desesperada por harmonia nos sons.

À medida que o tempo passa vai ganhando raízes a ideia de que este Governo poderá, afinal, ser uma oportunidade perdida. Depois dos Executivos de António Costa, cujas saudades se esvaíram ainda antes da queda, esperar-se-ia um Governo de combate, unido na estratégia, coerente nas atitudes, firme nas decisões e solidário nas crises. Uma nau que, de forma competente, o comandante faria navegar até ao porto que traçara como destino. Ao fim destes meses todos, não é essa a imagem que subsiste. Estou cansado de ouvir falar de deficiente comunicação. Não há comunicação que valha quando o problema se prende com uma questão básica: de um Governo espera-se que governe e de preferência bem, não que se preocupe em que dele se fale necessariamente bem. A meu ver, se existe uma questão comunicacional, ela resulta de ineficiências e incapacidades da própria ação governativa, bem como da frustração das expectativas geradas nos períodos pré-eleitorais, com o cortejo de promessas que cobrem o chão das ruas.

Este é um governo minoritário que precisa decidir se quer a conciliação ou o confronto, se tem ideias próprias para mudar o País ou se o que traz é mais do mesmo, matizado apenas por uma forma diferente de gerir a crise. Uma opção ou outra não pode ser sustentada apenas em discursos mais ou menos inflamados e mais ou menos........

© SOL