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Adeus tranquilidade

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29.08.2026

Alguém me dizia, esta semana, que Lisboa está perigosa. Sendo mulher, redobrou os seus cuidados quando sai à rua, não só não exibindo fios de ouro, relógios ou joias, mas também evitando, à noite, locais mal iluminados. Dir-se-ia que se trata de um caso isolado. O problema é que não é assim. Lisboa parece ter importado cenas habituais nas principais cidades do Brasil, mas que estavam afastadas da realidade portuguesa. Os roubos por esticão, com recurso a motas, estão a crescer de forma alarmante e os assaltos com aparato de filmes de ação de Hollywood parece terem chegado para ficar.

O que se passou, esta semana, com o incidente em que quatro assaltantes, em duas motas, concertadamente, apertaram um carro e roubaram relógios de luxo e joias aos ocupantes, com o condutor do carro a reagir, perseguindo-os, numa ação que culminou com a morte de um dos assaltantes, é paradigmático.

Este vai ser um assunto que muita tinta irá fazer correr ainda, nos próximos tempos, sobretudo, quando se discutir, em tribunal, a reação do condutor do carro, que fez aquilo que, provavelmente, a esmagadora maioria dos portugueses seria tentada a fazer, em circunstâncias idênticas. Perante uma situação destas, com roubo concretizado e arma de fogo exibida, até onde pode o normal cidadão reagir? Limita-se a assistir, grita pela Polícia ou toma a iniciativa de ir tentar recuperar o que é seu, imprudentemente ou não, atingindo, no processo, o autor ou autores do crime? Ação legítima ou ato criminoso? A vítima, que teve uma arma apontada a ele e à mulher, vai ser acusada, corre o risco de um juiz a condenar e terá, no mínimo, de gastar muito........

© SOL