Os EUA querem a NATO?
A NATO foi criada assente num duplo pressuposto. Em primeiro lugar, como mecanismo para assegurar a segurança europeia no contexto de confronto entre duas conceções do mundo, o comunismo e o capitalismo democrático-liberal. O mundo era então (e assim permaneceu até 1989) bipolar, com as duas superpotências nucleares - os EUA e a URSS - envolvidas numa acesa disputa global. As luzes da ribalta incidiam sobre a Europa, com as duas superpotências observando-se, olhos nos olhos, sem nenhuma piscar primeiro. Para além da potencial ameaça soviética (que, diga-se, sempre foi mais efetiva em palcos na África, Ásia e América Latina), o lugar de destaque da Europa na estratégia de segurança dos EUA justificava-se ainda pelos EUA se verem como uma potência europeia, por história e afinidade cultural e política. A NATO, para além da garantia de segurança da Europa, era o lugar geométrico dessa afinidade: uma organização militar que era, também, a corporização do conceito de ‘Ocidente’ e da sua criação que foi a ordem liberal internacional. A NATO era o ‘enforcer’ dessa........
