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O abraço pouco diplomático de Nova Iorque

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17.07.2026

Em junho de 1961, o Conselho de Segurança reuniu-se para discutir Portugal: a Resolução 163 exigia ao Estado português o fim das medidas de repressão em Angola. Sentámo-nos como Estado visado, sem direito de voto; do outro lado da mesa, as vozes recém-independentes de África faziam do Conselho o tribunal do nosso atraso político. Sessenta e cinco anos depois, a 3 de junho, a Assembleia Geral devolveu-nos àquele órgão – desta vez com assento, 134 votos e, pela primeira vez, eleição à primeira volta. Entre esses dois lugares mede-se o caminho de uma democracia europeia.

Portugal tem razões para assinalar esse regresso, em 2027, ao único órgão internacional com competência para aprovar sanções obrigatórias e autorizar o uso da força, apesar da profunda crise de legitimidade que atravessa. O resultado reconhece treze anos de campanha e o trabalho de sucessivos governos, Presidentes e diplomatas. Sublinhe-se sem reservas: é um êxito diplomático.

Ainda assim, a efusividade das celebrações merece reparo – não tanto pela excentricidade do ato, mas pelo que parece revelar. Paulo Rangel falou em ‘vitória sem precedentes’; o primeiro-ministro, numa ‘ocasião histórica’ que dignifica e projeta Portugal; entre aplausos, o ministro levantou-se para abraçar o embaixador Rui Vinhas. Viram-se braços no ar. A alegria compreende-se. A lógica de troféu preocupa.

Comecemos pelo que a fotografia pode esconder. Portugal disputou duas vagas com dois parceiros da União Europeia: a Áustria e a Alemanha. Eleitos Portugal e a Áustria, a Alemanha, com 104 votos, ficou de fora pela primeira vez desde a reunificação. A União, porém, não conquistou lugar nenhum: Portugal e........

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