Eleições ou referendo ao medo?
Estas eleições parecem menos um ato político e mais um exercício coletivo de nervosismo. O desfile de apoios a António José Seguro tornou-se tão vasto e heterogéneo que acaba por o desvalorizar. Apoiantes de Seguro, não socialistas por Seguro, católicos por Seguro, democratas por Seguro e todo o cidadão que detesta André Ventura sentiu a necessidade quase terapêutica de declarar publicamente o seu apoio, mesmo que apenas para si próprio.
O fenómeno é revelador. Não se trata de entusiasmo por um candidato, mas de rejeição de outro. Estas eleições não escolhem um Presidente da República. Funcionam como um referendo emocional a André Ventura. A pergunta real não é quem tem melhores qualidades para o cargo, mas se se gosta ou se se odeia Ventura.
O resultado é a eleição simbólica de duas figuras sem dimensão presidencial. O Presidente da República deveria ser um referencial de experiência, maturidade política e autoridade institucional. Em vez disso, temos uma escolha moldada pelo medo, pela reação e por uma leitura moral........
