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A Semana (de 14 a 19 de março)

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20.03.2026

O regime comunista de Cuba a chegar ao fim

O regime cubano está à beira do colapso. Sem o petróleo da Venezuela e sem ajuda da Rússia, o sistema comunista não sobrevive. O fim do comunismo em Cuba deve ser celebrado por todos os que gostam de liberdade e de justiça. Fidel Castro, a sua família e o Partido Comunista cubano reduziram Cuba a uma prisão e a população à miséria.

Têm sido mais um exemplo do que significa o comunismo. Desde a revolução socialista, os cubanos foram sujeitos a uma ditadura que não permitia dissidência nem liberdades. Foram condenados à pobreza sem o mínimo de justiça social. Tudo isso foi sempre evidente.

Como é possível que as esquerdas europeias e da América do Sul, e não foram apenas os partidos comunistas, tenham defendido sempre uma ditadura brutal? E muitos que a defenderam, apresentam-se nos seus países como grandes defensores da liberdade e da democracia. Todos os militantes do PS, do Bloco, do PCP e os intelectuais de esquerda, escritores e cantores, que foram a Cuba viram liberdade, viram democracia, viram justiça social? Obviamente que não, mas diziam que sim. O regime cubano foi também a causa de uma das maiores fraudes intelectuais que os seus defensores em Portugal e na Europa quiseram vender. Não têm vergonha nenhuma.

A aliança entre os socialistas e as extremas esquerdas francesas

Nas eleições locais em França não houve vencedores nas grandes cidades. Haverá segundas voltas no próximo domingo. O Partido Socialista francês está dividido entre os que se opõem a coligações com a extrema-esquerda, a França Insubmissa, e os que farão alianças para tentar ganhar algumas das grandes cidades.

A França Insubmissa de Melenchon é um partido sinistro. Tem relações próximas com os grupos anti-fascistas que defendem a violência contra os adversários políticos. É um partido que trata todos os que estão à direita dos socialistas como ‘fascistas’. Para Melenchon, o Rassemblement National de Marine Le Pen não é o único partido ‘fascista’ em França. Os republicanos, de centro-direita, e os liberais de centro, o partido de Macron, também são ‘fascistas’. O tratamento de Macron como um ‘fascista’ mostra bem o radicalismo de Melenchon e os seus camaradas (amigos das nossas extremas esquerdas).

Mas há outra aliança sinistra: entre a extrema-esquerda e o islamismo radical. Gaza e o Hamas tornaram-se as inspirações da França Insubmissa. Chama à luta ‘anti-fascista’ em França a ‘intifada francesa’, e ao objectivo de conquistas de autarquias locais a criação das ‘Gazas em França’. É com esta gente que muitos socialistas franceses se vão coligar nas eleições locais do próximo domingo.

Sócrates a gozar com os portugueses

A investigação judicial ao comportamento de José Sócrates como PM e o seu julgamento fazem parte das nuvens mais negras que pairam sobre a democracia portuguesa. Sócrates está literalmente a gozar com os portugueses. A sua riqueza pessoal permite-lhe recorrer a todo o tripo de truques para adiar a conclusão do julgamento e para fazer prescrever alguns dos crimes de que é acusado. Mais de meio século depois do 25 de Abril, em Portugal há uma justiça para os ricos e os poderosos e outra para os pobres e os que não têm poder.

Além de brincar com a justiça, Sócrates continua a levar uma vida financeiramente desafogada. É o único antigo político português que não precisa de trabalhar para viver bem. Ou seja, Sócrates é um milionário.

Um sistema de justiça que permite este tipo de comportamentos é um sistema doente que necessita de reformas urgentes. Mas ninguém as faz. Onde estão as reformas da justiça? Onde estão as reformas para que ninguém possa no futuro repetir os comportamentos de Sócrates?

Mas Sócrates também é um antigo PM, e as acusações dizem respeito ao tempo em que exercia funções políticas. A democracia portuguesa não voltará a ser saudável enquanto o julgamento não se concluir e Sócrates não for julgado inocente ou culpado. Os responsáveis máximos do sistema político português, o Presidente da República e o primeiro-ministro, deviam preocupar-se com os ataques de Sócrates à justiça e à democracia portuguesas. É um problema para os dois.

A guerra no Irão e o anti-semitismo

Há uma tese que circula cada vez mais rapidamente: Israel convenceu os Estados Unidos a iniciar os ataques militares ao Irão. A tese não circula apenas nos sites mais obscuros das redes sociais. É defendida na CNN, na BBC, na Sky News, no Financial Times, na Bloomberg, no Economist, no Guardian, no Le Monde. Ou seja, na imprensa internacional com mais prestígio. Os seus defensores não apresentam evidências para sustentar a tese, é apenas uma opinião. Trump faz sempre o que quer, na política interna e na política internacional, mas, com Israel, perde liberdade e não passa de um político comandado pelo PM israelita.

No entanto, se olhamos para os factos no passado recente, o que vemos? Foi Trump que convenceu Israel a parar os ataques militares em Gaza. Foi Trump que travou a intervenção militar israelita no Líbano em 2024. E foi Trump que levou os israelitas a terminarem os bombardeamentos no Irão no verão do ano passado. Alguém acredita que Trump iniciaria uma guerra contra a sua vontade para defender os interesses de Israel? Obviamente que não. É uma tese sem fundamentos, que não passa do regresso do velho anti-semitismo: a culpa é dos judeus.

A Europa e a guerra no Golfo

Os países europeus enfrentam um dilema sobre a guerra no Irão. Por um lado, não podem aceitar um Irão com capacidade nuclear. A última vez que olhei para o mapa do mundo, vi que o Irão está muito mais próximo da Europa do que dos Estados Unidos. Aqueles que na Europa ainda acreditam que o Irão com capacidade nuclear apenas ameaça Israel não percebem a natureza e a história do regime iraniano.

Por outro lado, os europeus não querem envolver-se na guerra. Por isso, recusaram categoricamente enviar navios para ajudar a reabrir o estreito de Ormuz. Julgo que foram precipitados. Os líderes europeus deveriam ter negociado com Trump um possível apoio no Golfo em troca de um maior apoio americano à Ucrânia. A falta de talento diplomático na maioria das capitais europeias é impressionante. Estão a perder a oportunidade de ligar a Rússia ao Irão e de convencer Trump que as duas guerras estão ligadas por dois adversários do Ocidente. A guerra no Golfo é a maior oportunidade para a Europa convencer Trump sobre a natureza da ameaça que Putin constitui para a Europa e os Estados Unidos.

Além disso, a política internacional é imprevisível. Os europeus não querem entrar na guerra, mas a guerra pode chegar à Europa. A Turquia já foi atacada três vezes pelos mísseis iranianos. O governo turco teria legitimidade para evocar o artigo 5 da Carta da Aliança Atlântica. Não é provável que o faça, mas os ataques do Irão à Turquia mostram a imprevisibilidade da guerra (e a natureza do regime iraniano). Se a Turquia evocar o artigo 5, o que fazem os países europeus? Abandonam um aliado? Não respeitam os compromissos multilaterais da Aliança Atlântica?

Os ataques do Irão aos países do Golfo

Falei com um amigo que trabalha no Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos que me disse: «Os iranianos estão desesperados. Atacam indiscriminadamente as infraestruturas de gás e de petróleo de todos os países do Golfo. Os principais alvos somos nós, o Qatar e a Arábia Saudita». Os ataques aos vizinhos do Golfo foram o pior erro cometido pelo Irão e terá implicações sérias e duradouras. Antes de começar a guerra, todos os países do Golfo avisaram o Irão que não dariam autorização aos Estados Unidos para usar as bases americanas nos seus países. E não deixaram. Nenhum ataque americano ao Irão usou as bases do Golfo.

Os ataques do Irão aos seus vizinhos árabes também mostram um regime sem comando central, onde a autoridade está completamente fragmentada. Neste momento, os países do Golfo perderam confiança no regime iraniano e dificilmente voltarão a confiar em Teerão. Não é de excluir que a Arábia Saudita responda militarmente aos ataques iranianos. Mas uma coisa é certa. Neste momento, são os países do Golfo que estão a pedir a Trump para não acabar a guerra enquanto o regime iraniano tiver capacidade militar para atacar os seus vizinhos. E não demorará muito tempo para pedirem aos americanos para mudar o regime iraniano. Os países do Golfo nunca mais acreditam no regime iraniano.


© SOL