Portugal, Irão e o Realismo baseado em valores
Vivemos um momento particular em que a geopolítica deixa de ser assunto de academias e passa a entrar pela sala de jantar de cada família portuguesa.
O que se passa no Médio Oriente não é um conflito longínquo. É um conflito com implicações diretas para a nossa segurança e bem-estar, seja pelo impacto do aumento dos custos energéticos, seja pelo impacto na nossa soberania enquanto Estado.
Portugal não é um país neutro. Somos um país de valores. Estamos ancorados na democracia, no Estado de Direito, nos direitos humanos, e numa aliança atlântica que nos garante segurança há décadas.
Nenhuma destas âncoras de estabilidade é negociável, independentemente dos ventos que soprem de Washington, de Bruxelas, ou de Teerão, porque nelas assenta a nossa própria sobrevivência como Nação
Por isso, a posição do Governo ao condenar os ataques iranianos aos países vizinhos é coerente com 47 anos de histórico de violações graves por parte do regime de Teerão: do nuclear aos direitos humanos, passando pelo uso sistemático de proxies armados no Líbano, Síria, Iraque, Gaza e Iémen.
Ao mesmo tempo, o facto do Governo sublinhar que a via da negociação deve prevalecer, nos pressupostos da........
