O Matuto e os Sinos
O Matuto acordou. No quintal da Casa das Pontes, as maritacas discutiam em alegre algazarra. Os bem-te-vis chilreavam, miméticos. Um canito latiu. O sino da igreja repicou as sete da manhã. Um raio de sol trémulo de frio esgueirou-se pela janela. Hoje, 21 de Junho, é o solstício de inverno no hemisfério sul. Aqui no Brasil, país que tão generosamente acolheu o Matuto no seu seio, tivemos a noite mais curta e mais gélida do ano (9º).
É domingo. Cronicar é preciso...
O Matuto, com os sinos a badalar devagar por entre as pálpebras sonolentas, pensa no poema de Fernando Pessoa: Ó Sino da Minha Aldeia. Tal como o poeta, vive numa aldeia urbana e sente o soar dos sinos directamente na alma. Mas, ao contrário de Pessoa, ouve badaladas amplificadas por um sistema mecânico de som. O poeta terá escutado o som puro das campânulas na........
