O Matuto e os 18 Dias na Barriga dum Barco
O Matuto tinha aterrado há pouco tempo no Brasil. O ano era 2009. Em plena São Paulo, decide correr mundo. E foi parar ao Centro.
Na esquina da Quintino Bocaiúva com a Benjamin Constant, encontra uma livraria onde o tempo, por qualquer razão que a ciência ainda não conseguiu explicar, parecia ter estagnado.
Era a ORNABI, livraria do Sr. Luís Oliveira Dias. Havia no ar uma nostalgia de bondes parados, cavalheiros de chapéu, elevadores de madeira, café passado na hora e o cheiro da garoa tocando o chão quente. E havia livros. Muitos livros. Milhares deles, espalhados pelos “espaços” em torres de Pisa periclitantes, ameaçando tombar ao menor espirro.
O Matuto vagueia deliciado pelos diferentes “espaços” daquela singular livraria de livros em segunda mão — sebos, no Brasil, por favor. Entra numa sala, sai noutra, dobra uma esquina e dá de caras com uma estante que parece não ter fim. Há livros por todo o lado. Livros no chão, livros sobre livros, livros à espera de leitores e leitores à espera de encontrar o livro que não sabiam que procuravam.
Atrás do balcão está o Seu Luís, recebendo todos........
