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Entre a culpa e o amor

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09.03.2026

João foi um filho muito desejado. Tão ansiado que, mesmo na sua imperfeição, era perfeito. Não nasceu apenas como filho, mas também como esperança. Como resposta a vazios antigos desconhecidos, a silêncios que existiam por dentro, a sonhos irrealizados.

Sem que ninguém o soubesse ou tivesse decidido, o João trouxe consigo uma missão: a de preencher, consolar e dar sentido. Não com gestos ou ações, mas com a sua simples existência.

Foram uns primeiros anos perfeitos, de ligação e proximidade intensa e necessária com a mãe, como se ambos se fundissem num só. O problema foi quando, ao crescer, não sentiu espaço para que se fosse distanciando. Quando não lhe foi permitido que........

© SOL