Entre a culpa e o amor
João foi um filho muito desejado. Tão ansiado que, mesmo na sua imperfeição, era perfeito. Não nasceu apenas como filho, mas também como esperança. Como resposta a vazios antigos desconhecidos, a silêncios que existiam por dentro, a sonhos irrealizados.
Sem que ninguém o soubesse ou tivesse decidido, o João trouxe consigo uma missão: a de preencher, consolar e dar sentido. Não com gestos ou ações, mas com a sua simples existência.
Foram uns primeiros anos perfeitos, de ligação e proximidade intensa e necessária com a mãe, como se ambos se fundissem num só. O problema foi quando, ao crescer, não sentiu espaço para que se fosse distanciando. Quando não lhe foi permitido que........
