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Um português em Duíno

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15.02.2026

«Se eu gritar, quem poderá ouvir-me, nas hierarquias dos Anjos?» Os primeiros versos de As Elegias de Duíno exercem uma atracção imediata e Rilke leva-nos numa viagem mística irresistível, em que passa pela vida e a morte, o amor e a tristeza, a condição humana e a perfeição simbólica dos anjos. É um livro que fica connosco e a que se regressa, à medida da idade, como um local que conhecemos. Por isso, sempre quis ir ao castelo onde um anjo suspirou a Rilke o mote destas elegias e que o poeta só terminaria uma década depois, na Suíça, pouco antes de morrer.

A viagem de carro de Veneza a Duíno, pequena localidade a noroeste de Trieste, demora cerca de hora e meia, o que permitiu chegar ao castelo pouco depois da hora de abertura. Nessa manhã de Dezembro do ano passado, o céu estava limpo e o Sol aquecia a encosta e avivava o azul das águas do Adriático. Na recepção, comprei imediatamente alguns livros, postais e, naturalmente, os bilhetes. Por entre visitantes italianos e eslovenos já na terceira idade, onde apenas se distinguia um........

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