A guerra algorítmica: quando os algoritmos começam a decidir quem vive e quem morre
No passado dia 28 de fevereiro o mundo acordou com a notícia de bombardeamentos dos Estados Unidos da América (EUA) e de Israel sobre o Irão. A operação foi apresentada como uma ação preventiva contra o programa nuclear e o desenvolvimento de mísseis iranianos. Contudo, vários especialistas em direito internacional questionam a legitimidade desta intervenção, sublinhando a ausência de um enquadramento jurídico claro.
Segundo a comunicação social, em menos de 24 horas terão sido atingidos cerca de mil alvos militares e infraestruturas estratégicas iranianas. Um tipo de operação que, em conflitos anteriores, exigiria dias ou semanas de preparação. Parte dessa rapidez resulta do recurso a sistemas de Inteligência Artificial (IA), com capacidade para analisar grandes volumes de dados, identificar padrões, sugerir alvos e apoiar decisões operacionais.
O Irão respondeu com ataques automatizados dirigidos a infraestruturas críticas dos EUA, de Israel e de vários Estados do Golfo Pérsico. Também nesta resposta terão sido utilizadas ferramentas de IA para automatizar tentativas de acesso indevido a sistemas informáticos e amplificar campanhas de desinformação.
Alguns analistas começaram já a falar na primeira guerra algorítmica.
Sistemas de IA que geram texto, código ou imagens estão hoje a ser utilizados para escrever malware, automatizar ataques a sistemas informáticos e produzir narrativas adaptadas a públicos específicos. Tudo isto numa escala que torna cada vez mais difícil conter a origem dos ataques ou manter controlo sobre a sua propagação.
A guerra passa assim a ter uma natureza simultaneamente material e digital. Enquanto drones e mísseis guiados por sistemas inteligentes operam........
