O sentido do trágico: Alexandre, o Pequeno
No âmago da tragédia clássica está a ideia de purga, de catarse. Igualmente a ideia de Mimesis, que significa não só imitação, mas traz consigo a ideia de operação em que alguém se põe no lugar do outro. Identificação com alguém, e, no sentido superlativo, possessão e comunhão, a Mimesis tem uma irradiação semântica que vale a pena explorar: éleos, fobos - compaixão e temor.
Será Freud quem aprofundará a problemática levantada por Aristóteles na sua teoria da tragédia, considerando no opúsculo ‘Personagens psicopáticas do teatro’ que Éleos (compaixão) tem que ver com a recepção do espectador. Quem lê ou vê uma tragédia identifica-se com o pathos do protagonista. Assim, o tráfico implica a simpatia. Ou a solidariedade. Fobos significa o movimento contrário: distanciamento, separação em relação à dor, eis o fogo inultrapassável e sinistro que corresponde à fobia: a personagem trágica incorre numa falta que ignora (Édipo), ou enfrenta um poder maior (Antígona), ou está a braços com a força de um deus (Cassandra), dividida, sempre, a personagem trágica, entre a mortal humanidade de uma acção e a transcendente divindade de uma lição.
Ignorar a falha ou a falta é a condição da........
