Abril também é trabalho digno
Nestes dias em que celebramos Abril e assistimos a sinais de retrocesso nas leis laborais, penso muitas vezes no que diria o meu avô materno. A ditadura roubou-lhe o direito de estudar além da quarta classe e, aos onze anos, já trabalhava. Era um homem culto, politicamente consciente e ativo (preso político várias vezes).
Nos serões, quando o trabalho lhe dava tréguas, fazia da palavra e do convívio um ato de resistência. Na mata de São Pedro de Moel ou na sua casa, na Marinha Grande, reuniam-se homens e mulheres que sonhavam com a democracia. Trocavam livros proibidos, discutiam ideias em segredo, despediam-se dos que partiam para o exílio ou para a clandestinidade, apoiavam famílias de presos políticos e partilhavam o pouco que tinham. Choravam-se os mortos da repressão e da guerra colonial. Unia-os a luta pela liberdade, pela democracia e pela igualdade de oportunidades.
Defender Abril não é um exercício de memória nem um ritual vazio. É um compromisso com as conquistas da Revolução dos Cravos: a liberdade política e os direitos sociais concretos.........
