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Na ideologia dos interesses

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16.02.2026

Com o mundo imerso nesta nova era trumpónica, onde crianças de 4 e 5 anos de idade são detidas e levadas por forças de autoridade armadas até aos dentes dentro de um país no qual pensavam estar seguras, é bastante fácil perder a esperança.

Perante uma passividade generalizada, um número crescente de cidadãos continua a encher jaulas no Texas, os partidos políticos norte-americanos vivem condicionados no seu financiamento através de criptomoedas e os mercados bolsistas internacionais são manipulados por avanços e recuos em decisões impactantes, apenas úteis a quem beneficia de informação privilegiada para efeitos de especulação.

Na ideologia dos interesses, aproveitada por um grupo restrito junto ao poder da caneta de uma superpotência, o país que mais contribui para a Organização Mundial da Saúde decide retirar-se oficialmente desta agência sem pagar as suas dívidas, contrariando a adesão aprovada em 1948 por uma resolução conjunta do Congresso, por, alegadamente, não ter sido nomeado um diretor-geral norte-americano. E ninguém leva em linha de conta as preocupações em matéria de cooperação global na saúde, possíveis pandemias vindouras ou o número elevado de perdas de vidas em África em consequência desta tomada de posição.

Neste mundo dominado pelo egoísmo de alguns, já nem André Ventura se quer associar a Donald Trump e é, de facto, compreensível ceder nas expectativas de tempos risonhos. Porém, quando o tumulto internacional se intensifica, lufadas de ar fresco surgem, mostrando como a humanidade se pode regenerar.

Portugal realizou as suas eleições presidenciais e, apesar das tentativas de apelo à abstenção, elegeu o Presidente mais votado de sempre. Num verdadeiro referendo à democracia, os portugueses responderam presente, salvaguardando os seus princípios programáticos e a sua integridade identitária. António José Seguro venceu por ser quem é, por ser ponderado, estável e digno, correspondendo ao que se pede a um Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas. Os portugueses resistiram às tentações de se partidarizar estas eleições, um absurdo em eleições pessoais, e, no fim, não ganhou o socialismo, mas sim a defesa da Terceira República.

A segunda nota de satisfação surge de Cascais, cuja Câmara Municipal promove respostas locais inovadoras, de modo a que a cooperação e solidariedade prevaleçam, e os interesses estejam virados apenas para os munícipes.

Como exemplos a pensar exclusivamente nas pessoas, protegendo os seus, estão a ser lançadas ambiciosas iniciativas para assegurar viagens gratuitas a moradores, trabalhadores e estudantes, a adquirir terrenos urbanizáveis para os transformar em amplos parques públicos e a apostar seriamente em mais programas de habitação municipal a preços acessíveis. Os 100 dias de mandato do novo presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, já assinalam uma visão geracional preocupada e solidária, merecendo destaque pelo contraciclo local perante um mundo preocupante.

Escritor e Gestor Público


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