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A regionalização não pode esperar muito mais

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19.02.2026

As sucessivas tempestades que, nas últimas semanas, assolaram Portugal continental deixaram um rasto de destruição, prejuízos e, sobretudo, uma sensação de descoordenação. Municípios exaustos, serviços centrais sobrecarregados, respostas que estão a chegar tarde a territórios isolados. Perante a calamidade, tornou-se evidente aquilo que há décadas evitamos discutir com seriedade: falta-nos um nível intermédio de poder político, maior do que o municipal e mais próximo do terreno do que o Estado central.

A regionalização não é apenas um debate académico ou um capricho constitucional adiado. É uma necessidade prática. Quando ocorrem cheias, incêndios, deslizamentos de terras ou crises económicas localizadas, a escala municipal revela-se muitas vezes insuficiente. E o Estado central, por definição distante e burocratizado, não consegue responder com a agilidade que as circunstâncias exigem. Entre ambos existe um vazio.

Mas reduzir a regionalização à gestão de catástrofes seria um erro. O verdadeiro argumento a favor das regiões administrativas é o desenvolvimento. Portugal é um dos países mais centralizados da Europa. Lisboa concentra poder político, decisões estratégicas e recursos humanos qualificados. O resultado está à vista: litoral saturado, interior........

© Sapo