Lisboa sem comércio local: quando a cidade expulsa o comércio que a fazia viver
O que está hoje a acontecer em Lisboa não é um acaso nem uma sucessão de episódios isolados, é um processo urbano identificável e que se repete por toda a cidade mas que é especialmente visível em zonas centrais como a Praça da Figueira, a Calçada do Combro, Arroios, a Baixa, o Miradouro de São Pedro de Alcântara, a Rua D. Pedro V e várias artérias do Bairro Alto, onde o fecho de cafés e pastelarias tradicionais deixou de ser exceção para se tornar regra.
Não estão a desaparecer apenas cafés, mas também leitarias, padarias, papelarias e retrosarias, isto é, o comércio de proximidade que estrutura a vida quotidiana dos moradores e dá densidade social aos bairros. No seu lugar surgem lojas repetitivas de grandes cadeias internacionais, conceitos indiferenciados orientados para consumo rápido e, em alguns casos, espaços de fachada sem qualquer ligação ao território. O resultado é uma perda clara de diversidade funcional, social e económica. A cidade deixa de servir quem nela vive e passa a organizar-se quase exclusivamente em função de fluxos externos, turísticos e voláteis.
O encerramento da Confeitaria Cister, fundada em 1838, é um exemplo simbólico e perturbador. Tratava-se de um........
