Quando a economia se transforma em ideologia
O debate económico contemporâneo parece cada vez mais aprisionado entre dois extremos ideológicos igualmente redutores. De um lado, o decrescimento, promovido por autores como Kohei Sato, que identifica no crescimento económico a origem estrutural da crise ambiental, das desigualdades e da instabilidade social. Do outro, uma visão rudimentar de crescimento a qualquer custo, hoje bem espelhada no trumpismo económico: Mais petróleo, menos vento; mais tarifas, menos comércio; mais dívida pública, menos regras; mais intervenção discricionária, menos liberdade económica. Apesar de se apresentarem como opostos, ambos partilham o mesmo erro de base: transformam o crescimento numa questão ideológica e ignoram a complexidade funcional das economias modernas.
A proposta do decrescimento parte de um diagnóstico parcialmente correto. Os modelos produtivos intensivos em carbono, energia barata e exploração extensiva de recursos naturais não são sustentáveis no longo prazo. No entanto, Sato dá um salto conceptual injustificado ao concluir que a solução passa por abandonar o crescimento enquanto objetivo político e económico. Ao fazê-lo, transforma um instrumento, o crescimento económico, num inimigo moral, como se fosse possível manter coesão social, financiar serviços........
