A Família, a última casa antes do vazio
Há uma pergunta que raramente fazemos em voz alta, talvez porque a resposta nos assusta: o que acontece a uma sociedade quando deixa de saber viver em família?
Não falo apenas de casamento, nem de fotografias perfeitas nas redes sociais, nem daquela imagem idealizada que tantas vezes se tenta vender. Falo da família real. Daquela que acorda cansada, que discute, que tenta sobreviver às contas do mês, que falha, que recomeça, que aprende a amar no meio das imperfeições.
Porque a família nunca foi um cenário perfeito. Foi sempre uma construção humana feita de esforço, renúncia e presença. E talvez seja precisamente isso que esteja hoje em risco: a presença.
Vivemos num tempo em que nunca estivemos tão ligados e, ao mesmo tempo, tão distantes. Pais ausentes dentro da própria casa. Filhos criados por ecrãs. Conversas substituídas por notificações. Pessoas que partilham teto, mas já não partilham verdadeiramente a vida. Há uma solidão moderna que não nasce da falta de gente à nossa volta. Nasce da falta de pertença.
C.S. Lewis dizia que “o amor não é um sentimento afetuoso, mas um desejo constante pelo bem do outro”. E talvez a crise da família comece precisamente quando o amor........
