A guerra lá fora, a conta cá dentro
A escalada da tensão entre o Irão, os Estados Unidos e Israel configura um choque geopolítico de elevada magnitude, com repercussões económicas globais que Portugal não pode ignorar. Numa economia aberta e periférica como a nossa, a ideia de que estamos “longe” do conflito é, em larga medida, ilusória. A crescente interligação dos mercados energéticos, financeiros e de bens assegura que os efeitos acabam sempre por chegar e tendem a fazê-lo com particular incidência sobre a inflação, as condições monetárias e o equilíbrio orçamental. Convém, por isso, não desvalorizar o momento. Senão, vejamos.
O primeiro e mais imediato canal de transmissão é o energético. O Médio Oriente continua a ser uma peça central no equilíbrio da oferta global de petróleo e gás, pelo que qualquer perturbação relevante, seja por constrangimentos logísticos, sanções ou simples agravamento do prémio de risco, traduz-se rapidamente numa subida dos preços internacionais. Portugal tem feito um percurso assinalável na incorporação de energias renováveis, o que constitui um ativo estratégico. No entanto, convém não alimentar........
