Abaixo o milheiral!
Andar de comboio nos subúrbios de Lisboa e do Porto é uma experiência digna de nota. Afastamo-nos 5-10 quilómetros do centro das cidades e, quando paramos numa estação, podemos observar a paisagem rural a partir da janela. Mesmo ali ao lado da estação, a quinze minutos do centro da cidade, vislumbram-se florestas com passarinhos a chilrear, milheirais, ovelhas a pastar, pomares de fruta resplandecente, enormes campos verdes a perder de vista. Enfim, um horror.
É evidente que qualquer um de nós aprecia aquela paisagem. Muitos até gostam do privilégio de viver numa zona assim, calma, bucólica, mas tão perto de transportes públicos e do centro das cidades. Mas isto é o resultado de mau planeamento urbano. Se há áreas que devem estar densamente povoadas, são as zonas próximas de estações de transportes públicos. Qualquer área próxima de uma estação de comboio ou metro que a coloque a menos de trinta minutos do centro de uma grande cidade não devia ter construção abaixo de dez andares (e digo apenas dez para não chocar o Portugal dos pequeninos, salazarento, fascinado pela pobreza da ruralidade e avesso à construção em altura típica das zonas urbanas em países desenvolvidos).
É um desperdício que tal não aconteça. Desperdiça-se a capacidade dos transportes públicos, que ficam subutilizados precisamente onde seriam mais rentáveis. Desperdiça-se valor imobiliário, porque o solo mais valioso de uma região metropolitana é usado para pastagem e cultivo de cereais. Desperdiça-se espaço, porque a habitação junto a transportes públicos não precisa........
