Podes rever este documento, se faz favor?
Houve uma frase, dita quase de passagem, que me ficou na cabeça: “É incrível que me dês documentos teus para rever, sendo tu a diretora.”
Fiquei contente com a observação. Era, no mínimo, simpática. Mas depois pensei e talvez esta frase assumisse precisamente aquilo que, para mim, a liderança não tem de ser: não tem de ser sinónimo de controlar, nem de ocupar todo o espaço disponível.
Podia escrever um artigo técnico, ou até desenvolver uma pequena tese, em que falasse de liderança situacional, liderança adaptativa, liderança disto ou daquilo. Teses e análises de grandes pensadores desta matéria. Mas não sou, de forma alguma, a especialista que eles são, nem vou maçar-vos com teses que já foram amplamente discutidas.
Em Portugal, durante anos, fomos ensinados a associar liderança a verticalidade. O líder decide, a equipa executa. O líder sabe, os outros seguem. O líder centraliza, os restantes adaptam-se.
Mas no trabalho real isso não acontece assim. E, ao longo da minha carreira, desde que estagiei (já há uns aninhos, não vamos fazer contas aqui) tive a sorte de encontrar líderes diferentes, mesmo quando, algumas vezes, trabalhei em estruturas verticalizadas. Lembro-me de uma pessoa a quem reportava que tinha sempre a porta do gabinete aberta e só a fechava em reuniões, porque éramos livres no trabalho, mas se surgissem dúvidas ou cometêssemos um erro, a porta estava........
