Fora do escritório, dentro do trabalho
Há uma imagem moderna que se tornou quase banal: alguém de férias, num cenário idílico, com o telemóvel na mão a responder a emails. Não é uma exceção. É a regra. E talvez seja um dos sinais mais claros de que o trabalho deixou de ter fronteiras.
Durante décadas, o escritório era um espaço físico e simbólico. Entrava-se para trabalhar, saía-se para viver. Hoje, essa distinção desapareceu. O escritório cabe no bolso, vibra no silêncio da noite e acompanha-nos para todo o lado. A promessa de mobilidade transformou-se, discretamente, numa obrigação de disponibilidade permanente.
O problema não é apenas tecnológico. É cultural.
Vivemos numa era em que responder rapidamente se tornou sinónimo de competência. Um email ignorado durante horas pode ser interpretado como desleixo. Uma mensagem não respondida ao fim de semana pode levantar dúvidas sobre o compromisso profissional.........
