O Datafolha e as desventuras de um incumbente
Lula aparece com 46% de rejeição electoral em março de 2026, inferior aos 55% de Bolsonaro em março de 2022.
A aprovação binária de Lula é de 47%, contra 49% de desaprovação, segundo o Datafolha.
Lula tem 38% das intenções de voto no primeiro turno e 46% no segundo turno, superiores aos 26% e 34% de Bolsonaro em 2022.
A vantagem de Lula sobre Flavio Bolsonaro no segundo turno caiu de 15 pontos em dezembro para 3 pontos em março, a melhor margem entre pesquisas recentes.
Incumbente é uma palavra feia, porém muito útil na análise política. É como nos referimos ao candidato que já ocupa o cargo e pretende permanecer nele.
Em março de 2022, o incumbente era o presidente Jair Bolsonaro, que pretendia a reeleição. Naquele mês, ele apresentava 55% de rejeição eleitoral no Datafolha.
O sociólogo Antônio Lavareda destaca duas faces dessa condição. A vantagem é que a campanha dá ao titular a chance de reduzir a rejeição, mostrando ao eleitorado o que realizou. Bolsonaro, ao longo da campanha de 2022, parece ter reduzido sua rejeição o suficiente para chegar competitivo ao segundo turno. A desvantagem é o chamado teto de vidro. Todas as insatisfações nacionais, todas as angústias e frustrações acumuladas, recaem no colo de quem governa. E como a campanha ainda não começou, o atual presidente ainda não teve a oportunidade de responder a elas.
Em março de 2026, Lula, agora no papel de incumbente, aparece com 46% de rejeição eleitoral no Datafolha. Não é o mesmo........
