Ameaça de golpe voltou
Editorial do Estado de S. Paulo afirma que Flávio Bolsonaro segue o “manual do golpista moderno”, questionando a eleição e depois defendendo sua lisura.
Empresários brasileiros temem crescente interferência dos EUA na economia e política do Brasil, comparando o risco ao ocorrido na Venezuela.
Nos últimos meses, o governo de Donald Trump impôs tarifas a produtos brasileiros e intensificou críticas públicas ao país.
O secretário de Estado Marco Rubio tem repetidamente criticado decisões do STF e medidas do governo brasileiro, ampliando o atrito diplomático.
O pronunciamento de Flávio Bolsonaro diante de diplomatas estrangeiros, de lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, não foi apenas mais uma crítica ao sistema eleitoral. Foi a reapresentação de uma estratégia política já utilizada em diferentes democracias: lançar dúvidas sobre as eleições antes que elas aconteçam.
Seu objetivo não é provar que houve ou poderá haver fraude. É criar, antecipadamente, um ambiente político em que uma eventual derrota possa ser apresentada como consequência inevitável de uma conspiração das instituições.
A semelhança entre o que ocorre hoje no Brasil e o que ocorreu nos Estados Unidos, em 2020, e no próprio Brasil, em 2022, não está apenas nos personagens nem nas palavras. Aparece no método. Primeiro, planta-se a dúvida. Depois, insinuam-se fraudes sem apresentar provas. Em seguida, questionam-se as instituições responsáveis por organizar e fiscalizar as eleições.
Por fim, caso o resultado seja desfavorável, a explicação já está pronta: a derrota deixa de ser consequência da vontade do eleitor e passa a ser atribuída à manipulação do processo eleitoral.
Não por acaso, um editorial do Estado de S. Paulo observou que Flávio Bolsonaro parece seguir o “manual do golpista moderno”: primeiro, lança suspeitas sobre o processo eleitoral; depois, afirma que jamais colocou em dúvida sua lisura.
A observação demonstra que esse tipo de estratégia ultrapassa as fronteiras da polarização partidária. O debate deixa de ser apenas sobre preferências eleitorais. Passa a ser sobre a preservação das regras que tornam possível qualquer disputa democrática.
Por que isso reaparece agora?
Por que essa estratégia reaparece justamente na campanha presidencial de 2026? A resposta começa por um fato novo: a eleição brasileira deixou de ser apenas um assunto dos brasileiros.
Uma observação da jornalista Adriana Fernandes, da Folha de S.Paulo, ajuda a compreender essa mudança. Ao relatar conversas com representantes do empresariado, ela registrou uma preocupação que, até pouco tempo, parecia restrita aos meios diplomáticos e a parte da oposição: o receio de um crescente nível de interferência norte-americana na economia e na política brasileiras, a ponto de alguns interlocutores........
