menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Os "se" de José Mourinho

8 0
yesterday

O treinador do Benfica anunciou este domingo que, a provar-se a culpa de Gianlucca Prestianni nos alegados insultos racistas a Vinicius Jr., jamais olhará o jovem jogador argentino da mesma forma. E disse mais: que no lhe diz respeito, a carreira de Prestianni no Benfica terminará nesse preciso momento.

Foi esta clareza de José Mourinho, na véspera do jogo com o Gil Vicente, que faltou após o jogo em que Vini Jr. correu para o árbitro e amuou no banco, em sinal de protesto com o que diz ter ouvido da boca de Prestianni, escondida por detrás da camisola.

Mourinho não quis tomar partido por nenhuma das partes, tem esse direito, mas faltou-lhe "colocar os pontos nos is" como fez agora relativamente a este caso.

Ninguém pode ser considerado culpado sem provas. Prestianni tem direito à presunção da inocência, como também disse o treinador do Benfica. A questão é saber se a UEFA está disponível para não condenar Prestianni por falta de evidências, ou se, como indicia a suspensão preventiva, se prepara para o dar como culpado e punir com severidade, ainda que possam subsistir dúvidas sobre se disse aquilo que é suspeito de ter dito.

Se o comité disciplinar da UEFA condenar Prestianni, o caso não vai certamente ficar por aqui, na medida em que a decisão é possível de recurso. E se o tribunal confirmar a decisão de primeira instância? Será que José Mourinho vai manter o que disse agora sobre Prestianni? Será que o Benfica vai prescindir dos serviços do jogador?

Citando Mourinho, há muitos "se" nesta equação, longe de estar resolvida.

No que agora não restam dúvidas é que José Mourinho - a fazer fé nas suas palavras - rejeitou o desafio de regressar ao Real Madrid, ao reiterar que "é possível dizer não a Florentino Perez.

O treinador do Benfica mostra-se disponível para continuar na Luz até ao fim do contrato e mais, para renovar por mais anos a ligação que está presa por uma "cláusula de facilidade" como disse o próprio. Mas também aqui há um "se". Mourinho quer continuar a treinar o Benfica se houver um só campeonato e não dois, " o real e o virtual". Depreendo das suas palavras que no campeonato virtual, o Benfica seria líder ou estaria perto de o ser. Outros dirão coisa parecida, relativamente a diferentes objetivos, porque todos afirmam as suas razões de queixa.

Se houvesse ponderação, se houvesse rigor, se não houvesse fraquezas e cedências, se as leis do jogo fossem aplicadas por convicção e não por suposição, se o VAR percebesse que não vem mal ao mundo por chamar o árbitro ao monitor porque é este o último a decidir, se tudo isto e mais alguma coisa fosse feita, estaríamos mais perto de ter um melhor campeonato.

Para desilusão de José Mourinho e de todos quantos possam encontrar justificação para o insucesso nos fatores que não dominam, sinceramente, não estou a ver como acabar de vez com estes "se". Portanto, se José Mourinho for fiel ao que afirmou, não o veremos muito mais tempo nos nossos estádios, o que, na minha opinião, será mais uma perda para o campeonato português.

06 dez, 2025Este dérbi não deixa saudades

09 nov, 2025Usar a vitória como trunfo ou acabar dentro do bolso. A vida de Rui Costa, no pós-eleições

17 set, 2025E agora, Rui Costa?

07 mar, 2025Caráter e inteligência

22 fev, 2025​Uma questão de ciclos

13 fev, 2025Nada é obra do acaso: Proença e a corrida à FPF

30 jan, 2025São heróis, sim senhor!

27 jan, 2025​Em que ficamos, Bruno Lage?


© Renascença