A sociedade que já não sabe desligar
Vivemos convencidos de que a tecnologia nos libertou. Libertou-nos das distâncias, da burocracia e da lentidão. Mas, talvez sem nos apercebermos, aceitámos uma nova forma de dependência: a da disponibilidade permanente. Nunca o ser humano esteve tão ligado ao mundo e, paradoxalmente, tão afastado de si próprio.
A revolução digital trouxe progresso, aproximou pessoas e abriu portas ao conhecimento. Mas também criou uma sociedade mais ansiosa, impaciente e com dificuldade em conviver consigo mesma. Perdemos gradualmente a capacidade de esperar, de refletir e até de permanecer em silêncio. Tudo parece exigir resposta imediata, reação instantânea e presença constante. Quem se desliga parece desaparecer. Quem demora a responder é, muitas vezes, visto como indiferente. Quem não marca presença nas redes sociais quase parece deixar de existir.
Criámos uma cultura onde a quantidade passou frequentemente a valer mais do que a qualidade. Consumimos milhares de notícias sem compreender verdadeiramente nenhuma. Saltamos de vídeo em vídeo, de publicação em publicação, enquanto a capacidade de concentração diminui e o pensamento crítico é muitas vezes substituído por opiniões rápidas e superficiais.
A indústria tecnológica percebeu algo que muitos ainda recusam aceitar: já não somos........
