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Quando o corpo das mães pára, a ansiedade cresce

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05.02.2026

Cansaço materno não é fragilidade. É o sinal de um corpo que deixou de ser ouvido numa sociedade que exige funcionamento permanente e oferece pouca margem de recuperação. Em muitas mães, a ansiedade e a exaustão não resultam de incapacidade emocional, mas de uma vida organizada contra o corpo e contra o tempo necessário para o regular, recuperar e cuidar.

Nunca houve tantas mães cansadas a funcionar como se estivessem bem. Trabalham, educam, organizam, decidem e seguem. Sem colapso visível, sem baixa médica prolongada, sem alarme social. Mas com um cansaço que deixou de ser episódico para se tornar estrutural.

Em Portugal, como noutros países europeus, observa-se um aumento consistente de ansiedade e depressão em mulheres em idade ativa, sobretudo com filhos. O discurso dominante tende a psicologizar este fenómeno: fala-se de fragilidade emocional,........

© PÚBLICO