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A importância de não se chamar universidade

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23.08.2026

A única utilidade real dos milagres administrativos é o entretenimento estético que proporcionam a quem já não espera nada da realidade. Em Portugal, a governação há muito que renunciou ao esforço de pensar para se dedicar, com compreensível volúpia, à arte mais limpa e económica da transmutação linguística. O princípio é de uma doçura quase lírica: dita que a escassez de recursos e a debilidade das nossas infraestruturas podem ser elegantemente abolidas se tivermos a audácia legislativa de alterar as certidões de nascimento das nossas instituições. Afinal, a realidade é sempre um erro de perspetiva que uma placa bem gravada à porta consegue corrigir.

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A recente rotulagem dos institutos politécnicos portugueses em "universidades politécnicas" ilustra na perfeição este pendor nacional para o adorno. Trata-se de um exercício de cosmética institucional e jurídica que, ao distribuir uma lisonja semântica coletiva por decreto, destrói à........

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