O TBA foi apenas o começo, e pode ser também o começo da resposta
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Vocês devem se preparar, a cultura será a próxima a sofrer ataques. Terminei assim a reunião, há quase dois anos, em uma das instituições mais importantes de Portugal. A conversa com a diretora ia na contramão do entusiasmo com o que poderia ter sido um recomeço para a própria instituição. Não tinha intenção de esmorecer seu projeto. Contudo, após viver diretamente a experiência brasileira, quando iniciados os ataques aos artistas (e não só), ao mais íntimo e violento dos momentos ocorridos, o alerta pareceu-me necessário. Sobretudo entre amigos.
Daquela reunião até os dias atuais, Portugal assumiu outra relação com a arte. Chegou ao inevitável. Sempre com a devida verborragia e caricatura, a seguir a cartilha experimentada nos países onde a cultura tem sido atacada. A fala pública de uma deputada municipal de Lisboa sobre a programação do TBA (Teatro do Bairro Alto) - tratada como exemplo da dominação perigosa da esquerda -, marca, desde logo, o instante zero da perseguição oficial a vir, de uma maneira ou outra. A ausência de defesa do próprio governo e seus representantes, alerta-nos quanto a isso.
Há que nos prepararmos para o óbvio, então: uma vez dada a partida, a violência não cessará. Ao contrário, engordará distribuída pelo imaginário popular, alimentando múltiplos preconceitos. Não é verdade, porém, terem outro projeto para a cultura, o que poderia ser uma vontade desesperada de substituição de valores e morais. Querem somente sua destruição. Também não devem os artistas se sentirem especiais por isso. A........
