Democracia ou hegemonia? O paradoxo das “intervenções libertadoras”
A democracia não é um conceito abstrato nem um instrumento retórico ao serviço de Estados poderosos. Trata-se de um processo social concreto que só se realiza plenamente quando assenta na participação ativa e consciente do povo. Sem essa base, a palavra "democracia" corre o risco de se transformar numa etiqueta conveniente, utilizada para legitimar agendas que pouco têm a ver com a autodeterminação dos povos.
A história recente mostra que transformações políticas impostas de fora, desprovidas de protagonismo popular, raramente conduzem à emancipação real. Na maioria das vezes, limitam-se a substituir uma elite por outra, preservando intactas as estruturas de desigualdade, dependência e exploração. A mudança torna-se, assim, mais aparente do que substancial.
Argumentos como o combate ao narcotráfico, a defesa de eleições livres ou a manutenção da ordem internacional são frequentemente predispostos em sede de ónus da prova para justificar a pressão e ação externas. No entanto, tais justificações não alteram o carácter unilateral de muitas dessas........
