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Vinte anos a mais depois dos 65, só oito com saúde

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01.10.2026

Os anos de vida saudável em Portugal quase duplicaram em duas décadas. Isso prova que a dependência não é um destino biológico, mas uma consequência política.

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Quem hoje chega aos 65 anos em Portugal tem, em média, mais duas décadas de vida pela frente. Os quadros de mortalidade do INE apresentam-nos o indicador de 20,02 anos. O segundo dado é menos citado, contudo, mais decisivo, porque apenas 8,4 são vividos sem limitações prolongadas na atividade diária. O Eurostat dá o nome de “anos de vida saudável”. A diferença traduz-se em cerca de doze anos vividos com dependência ou perda de mobilidade. Este dado, mais do que uma estatística abstrata, é a projeção direta do que espera quem tem hoje 40, 50 ou 60 anos.

Em 2004, um cidadão português de 65 anos podia contar com escassos 4,4 anos de vida saudável. Em 2014 eram 6,2 e em 2023 atingimos os 8,4. O país regista uma das mais expressivas progressões de toda a União Europeia.

Variáveis como as políticas ativas de saúde pública, habitação, mobilidade e participação comunitária contribuíram para este salto, apesar deste tema ainda não ter entrado com a devida força no debate público. Continuamos, é certo, abaixo da média europeia de 9,4 anos, mas essa distância define com precisão a nossa margem de ambição, a meta realista, mensurável e já alcançada por outros com instrumentos conhecidos.

Segundo os Censos 2021, 97% dos edifícios clássicos em Portugal não dispõem de elevador e apenas 34% dos alojamentos habituais são acessíveis a quem se desloca em cadeira de rodas. Construímos um país........

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