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O calcanhar de Aquiles europeu na disputa geopolítica

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31.07.2026

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A mídia foi dominada nos últimos dias por uma cena que parecia um déjà vu. Milhares de pessoas, em sua grande maioria homens jovens, chegavam em massa a Ceuta, cidade autônoma espanhola no norte da África. As imagens pareciam nos transportar de volta a 2015, quando mais de um milhão de pessoas fugiram de conflitos armados em seus países de origem.

A chamada crise migratória ficou marcada, entre outros símbolos, pela fotografia do menino sírio de origem curda Aylan Kurdi. Afogado, a criança de apenas dois anos tornou-se o retrato da tragédia humanitária vivida por milhões de pessoas naquele período.

Hoje, vivemos dezenas de conflitos armados com implicações catastróficas para o direito humanitário. Guerras, violência, desigualdade social e crises climáticas continuam levando pessoas em extrema vulnerabilidade a abandonar suas casas e a arriscar a própria vida em busca de um futuro melhor.

Mas, para além das imagens amplamente divulgadas pela mídia, é preciso compreender as motivações geopolíticas por trás desse fluxo populacional vindo do Marrocos e da Argélia. Por que agora? Por que tantas pessoas de uma só vez? Quem ganha com isso?

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A atual tensão entre Espanha e Marrocos não pode ser compreendida como uma sucessão de episódios isolados, mas como parte de um rearranjo geopolítico na região do Magrebe, onde energia, migração e o impasse em torno do Saara Ocidental se tornaram instrumentos de poder.

Um ponto de atrito ocorreu em 2021, quando o governo espanhol autorizou a entrada de Brahim Ghali, líder da Frente Polisário, movimento que luta pela........

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