A Venezuela e o aumento do risco político em meio à crise humanitária
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O início de 2026 surpreendeu o mundo. A retirada de Nicolás Maduro do poder por meio de uma intervenção liderada pelos Estados Unidos abriu um novo e controverso capítulo da história venezuelana. Para seus defensores, a operação representava a oportunidade de libertar o país de décadas de autoritarismo, recuperar a economia e iniciar uma transição democrática. Para seus críticos, tratou-se de uma grave violação do direito internacional, reforçando uma lógica cada vez mais presente na política externa do presidente Donald Trump: a de que os fins justificam os meios.
Mais do que um episódio isolado, a intervenção na Venezuela pode ser interpretada como parte de uma reconfiguração contemporânea da chamada Doutrina Monroe, muitas vezes atualizada e reinterpretada por analistas como uma “nova Doutrina Monroe”, orientada pela contenção da influência chinesa e russa no hemisfério ocidental.
Nessa leitura, a América Latina volta a ser tratada como um espaço estratégico de disputa geopolítica, no qual intervenções diretas ou indiretas são justificadas pela necessidade de proteger interesses de segurança nacional e estabilidade regional dos Estados Unidos. Essa lógica,........
