A amizade como um ato político
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No final de março, aconteceu mais um evento do Self-Uncensored, o Talks on Choice, com curadoria de Tânia Guerreiro, com a proposição de olharmos para a autocensura e os mecanismos das escolhas em tempos democráticos. A ideia do encontro é promover debates entre a classe artística, em diálogo com pessoas de áreas diversas. Achei curioso e emblemático que algo que também é sobre linguagem — afinal, somos artistas e nosso debate é sempre, no fundo, sobre linguagem — levasse a conversa, em um dado momento, ao assunto da amizade. Não sei se linguagem e amizade são temas diferentes.
Amizade não é consentimento absoluto. Não é esperar que o outro aceite incondicionalmente o que fazemos, mas que nos acompanhe no processo de transformação que, ufa, muitas vezes contém erros. Como é bom errar até algo voltar a fazer sentido novamente. E como é bom acompanhar o processo de transformação de alguém, vê-lo crescer, vê-lo buscar. Um pouco como escrever, como criar, como viver junto.
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Digo que não é “aceitar” porque, sem o espelho que diz quando erramos, a procura não acontece. Achar que encontramos algo........
