O terremoto na Venezuela e a memória de quem já viveu um
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Viver um terremoto não é algo que se esquece. É uma sensação que atravessa o corpo inteiro — o chão perde o sentido, o tempo desacelera e, por alguns segundos, tudo o que parecia sólido deixa de existir.
Morei no México por seis anos. Foi ali que, em 2017, atravessei um dos períodos mais difíceis do país, marcado por terremotos devastadores — não apenas como alguém que os viveu, mas também em formação. Naquele período, fazia o meu mestrado em psicoterapia ericksoniana e, com colegas e professores, trabalhamos no atendimento da população afetada pelo estresse pós-traumático. No meio dos escombros, havia também um outro tipo de reconstrução acontecendo — interna, silenciosa, essencial.
Foi nesse contato direto com as famílias e com as crianças que vivenciaram o trauma que nasceu As Aventuras de Nico e Frida. O livro é infantil e foi escrito a partir das histórias que ouvi e das emoções que presenciei durante o atendimento psicológico pós-terremoto. Ele traz um capítulo sobre terremotos e foi pensado como uma ferramenta para ajudar crianças e........
