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O casal da mesa ao lado

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25.03.2026

Estava a jantar num restaurante daqueles onde somos conduzidos ao lugar e onde, à entrada, nos oferecem uma flute de champanhe. Espaços pensados para celebrações, onde a mise-en-scène da elegância, é só mesmo isso, uma encenação. À minha volta, reconheciam-se algumas figuras públicas, sobretudo do universo do futebol, presenças que, por si só, parecem conferir ao espaço uma aura cosmopolita.

Foi então que a vi entrar. Uma mulher de presença quase magnética, cabelo negro preso num rabo-de-cavalo, vestido azul de veludo ajustado ao corpo, delineando com naturalidade as formas femininas. Gosto de apreciar mulheres, não com o olhar de inveja ou de desejo, mas de admiração. Sempre tive para comigo que gostarmos de nós ajuda-nos a reconhecer qualidades nas outras mulheres, sem as vermos como ameaça, como ainda acontece em certos olhares mais conservadores perante uma mulher vistosa. Aquela jovem não era uma ameaça. Era, simplesmente, a evidência de uma beleza rara. Teria cerca de 22 anos. Sentou-se com um rapaz da mesma idade, cuja fisionomia não retenho, talvez porque nunca chegou verdadeiramente a impor-se no espaço. Ela, pelo contrário, parecia iluminá-lo. Ficaram numa mesa próxima da minha e, sem esforço, ouvi a frase que quebrou o encantamento inicial.

— Andas a vestir-te melhor desde que estás comigo… com mais nível, sem decotes.

Esperei, num impulso........

© PÚBLICO