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A coisa vai correr mal

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No último concurso de acesso à formação médica especializada foram disponibilizadas 2331 vagas, das quais apenas 79,9% foram ocupadas. Especialidades nucleares, como Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar, foram preocupantemente preteridas. Outras, de menor visibilidade, ficaram também com um número significativo de vagas por preencher.

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É neste contexto, já suficientemente preocupante, que a ACSS decidiu alterar, em 2026, o modelo de escolha da especialidade.

Até 2025, o sistema assentava num princípio simples e transparente: a escolha era individual e sequencial. Cada candidato, pela ordem determinada pela sua classificação, escolhia entre as vagas disponíveis num dado momento. Uma vaga depois de escolhida desaparecia e o candidato seguinte conhecia exatamente as opções que lhe restavam.

Era um sistema que, com diferentes formas administrativas, funcionava há mais de quarenta anos. Tinha inconvenientes. A escolha era presencial e a indecisão de um candidato podia fazer esperar os seguintes. Quem esperava impacientava-se. Mas era um modelo justo, límpido e, sobretudo, transparente.

Para 2026, a ACSS prevê um modelo assente numa plataforma eletrónica. Nada contra a inovação. Mas inovar não é um objetivo em si mesmo. Inova-se para resolver um problema, corrigir uma insuficiência ou melhorar aquilo que existe.

O bom senso recomendaria, por isso, um ensaio, um projeto-piloto, objetivos previamente definidos e........

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