As guerras culturais e a “cultura de direita”
O apelo de uma militante do Chega para que se substitua a “cultura de esquerda” pela de “direita” deve ser debatido e esclarecido. Trata-se de uma manifestação woke em nome do anti-woke, que alimenta as guerras culturais que ajudaram a direita radical a ganhar uma parte da opinião pública e a colocar muita da esquerda entre a espada e a parede. Até agora, estes conflitos que são de pura natureza política e ideológica travavam-se em certas áreas marginais, nas escolas, na edição, em debates e proclamações, mas, nestes dias, chegam ao próprio poder político, com autarcas do Chega eleitos em maioria nalguns concelhos e minoritários noutros, do CDS e duma parte do PSD. O CDS como partido de governo, o Chega no plano do poder, e o ADN nas margens do poder são os partidos que dão voz a estas guerras culturais, a que se associam grupos religiosos integristas e evangélicos, com ligações a grupos de extrema-direita que realizam acções como perturbações em discussões de livros nas escolas e pressões de grupos de pais junto dos professores. Em certas manifestações públicas, os temas anti-woke aparecem associados, por exemplo, à contestação das vacinas.
