Os imigrantes e a invenção de uma cultura chamada brasileira
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No meu último texto, escrevi sobre a origem da ideia de uma cultura brasileira, vista a partir dos próprios brasileiros. Trata-se de um fenômeno relativamente novo, uma vez que a ideia de ser brasileiro era algo que existia na Corte Europeia, não no Brasil propriamente, onde a identidade da capitania se sobrepunha à do Brasil. Assim, o indivíduo nascido em São Paulo muito provavelmente se consideraria mais como português paulista do que como brasileiro. Algo como muitos, de fora do continente africano, chamam de África a um conjunto heterogêneo de culturas e identidades. Mas um pouco pelas ideias de Dom João VI de trazer a capital para os trópicos e um muito pela independência destas terras, o conceito de Brasil se interpôs como um projeto da Corte Brasileira.
Um projeto centrado em fazer do Rio de Janeiro uma Paris dos trópicos. Nisso, não diferia muito dos projetos que circulavam por toda a América. Essa ideia, não obstante os seus percalços, deu relativamente certo. O Brasil permaneceu como um único país e não se fragmentou em várias nações, ainda que não tenha sabido – provavelmente, até hoje – compreender o potencial de sua diversidade. Buscou uma unidade onde ela não existia. Buscou ser uma Europa que não o era. E, apesar disso, conseguiu recriar-se. E parte desse recriar-se passa pelas levas de imigrantes que para estas terras tropicais vieram, principalmente – mas não só – da Europa.
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A imigração para o Brasil ganhou forte impulso a partir da segunda metade do século XIX, quando o país buscou substituir gradativamente o trabalho escravo pela mão de obra livre e assalariada. A........
