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O Coração Ainda Bate. Nos sapatos dos outros

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16.02.2026

Vivo numa avenida que tem árvores, onde se passeia a pé e de bicicleta. Onde os carros abrandam e os aviões se fazem notar. Quem não é daqui pode estranhar o movimento contínuo dos grandes pássaros metálicos. Eu só me lembro deles na hora em que vou gravar e o barulho, que varia com a chuva, entra forte nos meus registos.

O meu bairro também é o meu bairro preferido. É uma sorte a possibilidade e a vontade coincidirem. Eu ainda não morava aqui e já pensava nesta avenida larga, que depois se abre em ruas pequenas como se fossem braços. Casas iguais, tamanhos iguais. Pequenos quintais cercam os prédios, trazendo o campo até à cidade. Há limões, dióspiros, laranjas; aqui no quintal também há alecrim, flores selvagens e jarros. É uma sorte viver aqui, mas, como em todos os lugares, o pior da mão humana não se esconde.

Depreendo que a maior parte das pessoas que aqui vive tem........

© PÚBLICO