Nunca é tão feio quanto parece
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Viajar de carro por Portugal tem sido a sensação mais próxima que sinto de liberdade. Desde a pandemia, quando as fronteiras se fecharam e o mundo ficou subitamente pequeno, o país passou a ser meu lugar favorito de exploração. E, confesso, continua a ser.
Viajo com filhos, com amigos, com a família, quando vem visitar. Às vezes, viajo sozinha, segurança que adquiri por aqui. Vou descobrindo o país aos poucos, como quem encontra tesouros. Cada região me revela uma paisagem diferente e me faz acreditar, de novo, que a vida pode ser assim, cheia de encantos.
Há serras, cascatas, praias, cidades medievais, aldeias de xisto, lugares onde ainda sobrevivem histórias de comunidades judaicas. Há Portugal de mar e Portugal de montanha, Portugal de vinho e de pedra, Portugal de estradas estreitas que parecem levar a lugar nenhum e acabam levando às mais inusitadas epifanias.
Minha incursão mais recente foi ao Gerês, onde logo descobri que os três dias planejados não seriam suficientes. Tive vontade de ficar mais tempo dentro daquele silêncio verde. E já devia ter calculado o risco, pois levo essa mania desde criança. Quando me apaixonava por um lugar, dizia: “Quero morar........
