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Celebramos o fim da censura, mas fechámo-nos em trincheiras

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28.04.2026

Passados mais de cinquenta anos sobre a Revolução dos Cravos, a nossa liberdade física e institucional tornou-se, felizmente, um dado adquirido. Não tememos a polícia política na calada da noite, não sofremos os constrangimentos da censura prévia, e a possibilidade de divergir publicamente é um direito que exercemos com naturalidade. Contudo, ao assinalarmos o 25 de Abril, talvez devêssemos fazer uma pausa para refletir não apenas sobre a liberdade que conquistámos, mas sobre o uso que lhe estamos a dar. O grande desafio contemporâneo já não passa por garantir a liberdade de expressão, mas por resgatar algo anterior e mais íntimo: a nossa soberania cognitiva e a capacidade de pensar livremente, sem amarras, numa época que se tornou ruidosa demais.

As amarras do presente não são feitas de ferro, nem nos são impostas por decretos autoritários. São subtis, invisíveis e, na sua maioria, consentidas. Se a ditadura do Estado Novo exercia o seu poder através da........

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