Supervisão policial (enfraquecida)?
Na sequência de eventos recentes, tristes é verdade, que põem em causa a herança reputacional da PSP, muito se disse e discutiu, tendo-se apontado, como uma das potenciais razões/causas, que eu próprio veiculei, a falta ou carência de supervisão, em primeira linha pelas lideranças intermédias (polícias da carreira de Chefe) e superiores (polícias da carreira de Oficial), mas também das chamadas lideranças horizontais (polícias da carreira de Agentes), estas últimas compostas por polícias mais velhos encarregues de um processo de mentoria in loco, aquilo a que eu designo compliance in actu. Não tenhamos dúvidas que este processo, permanente e inacabado de vigilância e acompanhamento, é vital à boa integração dos mais novos, sendo pedra de toque no sentido evolutivo (ou não) das organizações, em particular daquelas que detém o ius imperii do Estado, isto é, o poder de impor coercitivamente a força da lei e das normas.
É preciso, pois, averiguar se assim é, tendo que fazer uma análise retrospetiva da evolução a que assistimos na última década no seio das Forças de Segurança, de forma a perceber se o argumento é falacioso ou se, por outro lado, encontra respaldo factual nos números.
Em termos de panorama global, e fazendo uma análise que compreende o período 2014-2025, a PSP apresentava em 2014 um quadro com 20.879 polícias, com 930 oficiais, 2309 chefes e 17.640 agentes. Assumindo que o rácio de enquadramento dos oficiais é relativamente a chefes e agentes, e que o rácio de enquadramento de chefes é relativo a agentes, isto traduz um rácio de enquadramento de um oficial para cada 21,5 polícias e um chefe para cada 7,6 agentes. Em 2025 o figurino é outro e, num quadro de apenas 19.661 polícias, 717........
