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Fazer um desenho

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26.07.2026

Aparentemente, a única pessoa que parece viver numa outra realidade, descontando aquelas com elevadas responsabilidades que seguram as pontas, é o próprio ministro. Torna-se confrangedor chegar ao ponto em que se pressente a necessidade de sussurrar aos ouvidos de uma pessoa e explicar-lhe que a realidade não é como a interpreta. Lembra aqueles casos de grandes estadistas querendo crer que governam, quando se lhes reserva somente uma realidade ilusória, como na peça O Fim de António Patrício.

Julgo lamentáveis as declarações proferidas por Fernando Alexandre sobre, para usar o seu eufemismo, “desconformidades na digitalização”. Acrescentou o ministro que “todos os alunos vão ter a sua classificação e não serão prejudicados”. Pergunta-se: e terem os alunos direito à sua classificação é alguma coisa demais? Não foram suficientemente prejudicados já muitos deles, para recorrerem à segunda fase, crendo terem motivos de desconfiança na classificação do exame? E ter havido erros deploráveis, como perda de folhas de continuação de resposta, má qualidade na digitalização, associação desacertada de folhas de resposta de alunos distintos podem ser tidos como factos menores? De que precisamos mais para manter a cegueira? E de que precisamos mais para qualificar o processo de digitalização........

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