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Crónica de uma mala perdida

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28.05.2026

Após mais de vinte anos sem usar o autocarro como transporte, decidi fazer o trajeto Portimão/Lisboa numa dessas empresas em que uma viagem de ida custa quase tanto como uma meia de leite e uma tosta mista servidas num centro comercial. Olhei para o carro, lembrei-me do preço atual do gasóleo e das portagens, e julguei estar a fazer a escolha acertada.

Independentemente de tudo, e atendendo à minha predisposição natural para o insólito e o inesperado, teria certamente uma nova história para contar.

A viagem começou mal ainda antes de iniciar. Um percurso de 15 minutos de automóvel até à estação transformou-se numa eternidade devido a uma súbita chuvada de granizo que, à saída do carro-boleia, me provocou uma atrapalhação de malabarista amadora: domar a enxurrada de água, o vento, um guarda-chuva desobediente, a mala com o computador, a mala de mão, um saco de pano e a mala de viagem, tudo num só instante.

O autocarro chegou ao mesmo tempo que eu. Tive apenas tempo para colocar a mala de viagem na bagageira e entrar apressada, com os restantes pertences nos braços. Ainda metade dos passageiros da retaguarda estava de pé, à procura dos seus lugares, e já o autocarro seguia marcha. A motorista tinha pressa de chegar.

Fiquei sentada nos bancos de trás, mesmo ao centro, com dois desconhecidos de cada lado. Entre conversas íntimas que escusava de escutar e funk brasileiro como banda sonora, pois, mesmo com phones, o som chegava aos meus ouvidos, acabei por adormecer. O tempo não........

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