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Normalidade e outras fábulas

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16.03.2026

E apesar de sermos adultos, continuamos a acreditar em fábulas mirabolantes e histórias de ficção, algumas verdadeiramente infantis, e embarcamos iludidos em altos devaneios da imaginação, para tantas vezes nos estatelarmos sem pára-quedas na realidade, com o risco de umas quantas esfoladelas e escoriações. Ou pelo menos, com o desconforto de uma aterragem forçada que faz no mínimo, o rabo saltar na cadeira (como aquelas que se experimentam quando se compra um bilhete para um voo low cost, e temos a sensação de que o piloto está a fazer estágio-profissional pelo IEFP no momento de aproximação à pista.) Mas as fábulas têm a sua função — eu sempre que sinto um apertão no estômago durante uma descida atabalhoada, apaziguo-me sempre com a ilusão de que, tal como o Tom Cruise no “Top Gun”, também eu terei a hipótese de saltar de pára-quedas antes do avião se descontrolar e cair no mar.

Há uns tempos, por ocasião de um lanche perfeitamente casual, lembrei-me desta atribulada oscilação entre realidade e ficção, quando entrei na casa de amigos e em resposta à pergunta: “Onde deixo o casaco?”, eles responderam “Pousa aí no escritório”. Nada de surpreendente até aqui. A parte surpreendente, foi quando abri a porta do dito escritório da moradia de subúrbio completamente convencional e arrumada, do casal de amigos impecavelmente aprumados e organizados, me deparei com aquele que podia ser um cenário de passagem de tornado, ou um quadro pós-apocalíptico de destruição, e fui abalroada por um tsunami de objetos aleatórios........

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