Guiné-Bissau: a porta de saída aberta a Sissoco
Não havia nada a saber. Ante tão convincentes perspectivas de uma derrota eleitoral (era o que os primeiros resultados demonstravam), mandou parar o respectivo processo. De caminho engendrou um muito imaginoso golpe de Estado contra si próprio, no rescaldo do qual partiria para um pretenso exílio. No seu lugar deixava uma caterva de submissos e indefectíveis, todos escolhidos a dedo, e aos quais confiara a missão de um dia o receberem em triunfo para lhe devolver o poder.
Umaru Sissoco Embaló, o General-Presidente da Guiné-Bissau, é o sujeito da trama aqui apincelada. Ver o céu cair-lhe na cabeça quando lhe vieram comunicar que “ia perder as eleições” foi coisa a que não terá sido estranho o excesso de confiança com que se abalançara às eleições presidenciais de Novembro de 2025. Afinal de pouco servira a manipulação a que sujeitou a campanha eleitoral, incluindo o regime de exclusão política imposto ao seu principal adversário – Domingos Simões Pereira.
Os seus prosaicos instrumentos de poder – entre outros, o dinheiro, vindo-se sabe-se lá de onde, o nepotismo e a repressão política – também não lhe serviram tanto assim. E a magreza da votação por ele de facto alcançada também revelava que não era levado a sério (se era não passava de fingimento) ao fazer-se passar por alguém ungido de uma espécie de direito natural de “mandar” na Guiné-Bissau. Ou por alguém que pusera nos píncaros o prestígio internacional da Guiné-Bissau.
O excesso de confiança que levou Sissoco (Sissocô, como localmente o tratam), a não esperar mais nada senão uma esmagadora vitória eleitoral também não lhe permitiu........
