menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Popper, Rousseau, Seguro e Ventura

11 16
04.02.2026

“Unlimited tolerance must lead to the disappearance of tolerance. If we extend unlimited tolerance even to those who are intolerant, if we are not prepared to defend a tolerant society against the onslaught of the intolerant, then the tolerant will be destroyed, and tolerance with them.”
Karl Popper – The Open Society and its enemies.

“Si donc on écarte du pacte social ce qui nʼest pas de son essence, on trouvera quʼil se réduit aux termes suivans: Chacun de nous met en commun sa personne & toute sa puissance sous la suprême direction de la volonté générale; & nous recevons en corps chaque membre comme partie indivisible du tout.”
Jean-Jacques Rousseau – Du Contrat Social ou Principes du Droit Politique

Há muito quem trate a democracia como um ritual de exaltação colectiva, onde o “povo” surge como entidade homogénea e onde a participação política é apresentada como virtude moral absoluta. Já abordei esta problemática em vários artigos – A minha moral é superior à tua 1, 2, 3, 4, 5.

Karl Popper, contudo, legou-nos uma perspectiva substancialmente mais sóbria e, por essa mesma razão, mais sólida. Na Sociedade Aberta e os seus Inimigos, ele recusou o romantismo do “governo do povo”, optando por focalizar-se no essencial: a democracia como mecanismo prático para limitar o poder e afastar governantes sem violência. Partindo deste pressuposto, a pergunta decisiva deixa de ser “quem deve governar?”, passando a ser “como podemos remover quem governa quando erra?”. Ora, é justamente esta humildade institucional que distingue uma democracia verdadeira das suas falsificações plebiscitárias.

E Popper não exigiu que os cidadãos vivessem em mobilização permanente, nem que a........

© Observador